Astros atira na fronteira norte

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A crescente escalada na tensão entre Venezuela e Guiana ganhou novos contornos com a recente mobilização de forças militares brasileiras na região fronteiriça dos Estados de Roraima e Amapá. A Venezuela reclama para si uma grande área conhecida como Essequibo, cerca de três quartos do território da Guiana.

Em termos geopolíticos, o tema se torna mais relevante em razão da descoberta de uma importante reserva de petróleo por lá. Haveria a projeção, por parte da Exxon Mobil, empresa do ramo óleo e gás responsável pela descoberta, em explorar 159.500 quilômetros quadrados em terra e mar, uma extensão cuja soberania é reivindicada tanto pela Guiana como pela Venezuela.

Atentas a esse cenário, as Forças Armadas brasileiras vêm repetidamente realizando exercícios empregando as unidades militares aquarteladas em Roraima e Amapá (Comando Militar do Norte – CMN), ou promovendo o deslocamento de armamentos e unidades baseadas em outras regiões do País.

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Os exercícios aéreos com disparo de munição real feitos pelos helicópteros de ataque AH-2 Sabre, baseados em Porto Velho, em Rondônia, utilizados como vetores de ataque, anticarro, de escolta ou mesmo interceptação de alvos de baixo desempenho, mostraram a disponibilidade da frota e sua operacionalidade, assim como o alto nível de adestramento das tripulações, capazes de serem deslocadas para a fronteira norte com grande velocidade.

O envio para Boa Vista, a capital de Roraima, dos M60-A3TTS, baseados em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em pequeno número, serviu para testar o desempenho dessas viaturas blindadas de combate com esteiras no solo do “lavradio roraimense” (como são conhecidas grandes extensões de terreno plano que caracterizam a topografia local) e demonstrar a prontidão dos mesmos através do tiro real, realizado com sucesso. A logística desse deslocamento por terra e vias fluviais, utilizando balsas, percorreu a distância de 3.801 Km.

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O 6º Grupo de Mísseis e Foguetes, do Forte Santa Bárbara, em Formosa (GO), dentro do contexto da Operação Àgata X, deslocou uma bateria reduzida do sistema de artilharia Astros até a cidade fronteiriça de Clevelândia do Norte, vizinha a Oiapoque, a 593 quilômetros de Macapá, onde no último dia 24 realizou o tiro real com foguetes de treinamento inertes (segurança), dotados de cabeça sinalizadora com pó branco para marcação de impactos. Os 64 foguetes de alcance reduzido disparados levaram menos de 30 segundos para baterem alvos a 10 Km de distância

Um grupo de 60 militares foi destacado naquela localidade operando uma viatura posto de comando e controle de bateria; duas viaturas lançadoras múltiplas universais; uma viatura remuniciadora e uma viatura meteorológica. Esse material, de grande poder dissuasório, foi posicionado bem próximo à fronteira com a Guiana Francesa.

Segundo os militares brasileiros, a ideia por trás desse feito inédito é testar a capacidade de transportar o material até aquela distante localidade em tempo hábil para garantir uma pronta resposta. A operação, planejada em 2014, segundo o CMN, serviu para verificar a funcionalidade do envio tanto dos veículos como equipamentos do sistema, subindo a foz do rio Amazonas, de balsa, entre Belém (PA) e o Amapá, passando por Macapá, a capital.

À distância em linha reta entre Oiapoque e Boa Vista é de 989 Km, o que ilustra bem a magnitude da tarefa quando o assunto é mover equipamentos pela fronteira norte. No entanto, Oiapoque,cidade vizinha a Clevelândia do Norte, é servida por pista de pouso asfaltada bem equipada, assim como o aeroporto de Boa Vista, permitindo assim a operação segura do futuro jato de transporte militar multitarefa KC-390, capaz de transportar as viaturas do sistema Astros 2020 (uma de cada vez), seus implementos, suprimentos e tripulações, para qualquer pista capaz de recebê-lo dentro do território nacional, a partir do Planalto Central, com grande velocidade.

Roberto Caiafa