Aspirantex 2017: SH-16 lança torpedo MK-46Mod5 pela primeira vez

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SH-16 lança torpedo MK46 Mod5 (Imagem: Roberto Caiafa)

A Aspirantex 2017 teve como ato final operativo o primeiro lançamento de torpedo Mk-46 Mod5 a partir do helicóptero Sea Hawk SH-16 da Aviação Naval da Marinha do Brasil.

Esse exercício começou quando os navios designados para essa comissão demandaram o mar, a partir da Base Naval do Rio de Janeiro, no dia 12 de janeiro, em direção ao Porto de Montevidéu (Uruguai) e ao Porto de Mar Del Plata (Argentina), ocasião em que foram divididos em dois grupos visitantes.

Aspirantex 2017
Aspirantes da Escola Naval reunidos a bordo do G-25 Almirante Sabóia.

O Grupo Tarefa 701.1 contou com cerca de 2.000 militares distribuídos em seis navios, a corveta V-34 Barroso, o Navio Doca Multipropósito NDM G-40 Bahia, o Navio Desembarque de Carros de Combate NDCC G25 Almirante Sabóia, o Navio Tanque G-23 Almirante Gastão Motta, as fragatas Type 22 F-46 Greenhalg e F-49 Rademaker, o submarino S-30 Tupi, aeronaves da Marinha do Brasil (UH-12, UH-15, SH-16, AF-1), mais a participação de três aeronaves da Força Aérea Brasileira (A-1 AMX e P-95 Bandeirulha).

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O GT 701.1 em formação realiza uma manobra tática conhecida como split.

A Revista Tecnologia & Defesa esteve embarcada no G-25 Almirante Sabóia. Durante o exercício foi concluída mais uma etapa de adestramento dos navios da esquadra e das tripulações e, ao mesmo tempo, os aspirantes da Escola Naval, a razão de ser da comissão, fizeram suas escolhas de corpo e habilitação após se familiarizarem na prática com as tarefas aprendidas na vida acadêmica.

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O NDCC G-25 Almirante Sabóia navegando. Observar que o navio possui dois convoos.

Operacionalidade da Marinha

Nas duas primeiras semanas foram realizados exercícios de postos de abandono, controle de avarias, tiro sobre granada Iluminativa, manobras táticas diurnas, transferência de carga leve, light line noturno, navegação astronômica, simulação de ataque submarino, demonstração de mastros e periscópios de submarino, operações aéreas e fast rope.

Os exercícios de surpresa, que são divididos por área de interesse, visam treinar e avaliar a reação das tripulações em todos os navios, sendo conhecidos pelo termo “prego” entre os marinheiros.

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Aspirantes recebem instrução de Controle de Avarias no tanque deck do G-25.

Ao longo da semana, foram conduzidos exercícios de avaria na giro (que simula uma falha na agulha giroscópica), avaria no leme (simulação de falha no sistema de governo), comunicações por bandeiras e por emissões de ondas eletromagnéticas e o fundamental controle de avarias (CAV), tais como incêndios e alagamentos em compartimentos sensíveis.

Os pregos podem ocorrer a qualquer momento do dia ou da noite, sem aviso prévio.

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A fragata F-46 Greenhalg navega em formação com o submarino S-30 Tupi.

A partir do dia 23 de janeiro foi iniciada a terceira e última semana. Durante o retorno ao Rio de Janeiro, os navios atracaram em dois portos no estado de Santa Catarina, Itajaí e São Francisco do Sul receberam os navios.

Durante a permanência, ocorreu uma missão sabotex (teste da segurança de bordo), atividade que simula uma infiltração de pessoa não autorizada no navio com o fim de lhe causar danos ou incapacitá-lo.

Ainda na fase de porto, foi promovida a visitação pública com o objetivo de aproximar a população da Marinha do Brasil. Cerca de 7.800 pessoas visitaram o Navio Desembarque Multipropósito NDM G-40 Bahia e as Fragatas Type 22 F-49 Rademaker e F-46 Greenhalg.

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Grupo de Proteção do navio enfrenta ameaça assimétrica no porto de Itajaí com jatos dágua. Homens armados garantem a repressão letal, se necessário.

Dentre as atividades realizadas após a saída desses portos, ocorreu a desatracação em postos de combate (onde o navio enfrenta ameaças assimétricas), transferência de carga leve diurna e noturna, transferência de óleo no mar pela popa (parte de trás do navio) e a contra bordo (lado a lado), transferência de água no mar, reabastecimento de helicóptero em voo, recolhimento de náufrago por meio de helicóptero, homem ao mar (lançamento do Oscar), vertreppick up, manobras táticas noturnas e Search and Rescue (SAR) por aeronave.

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O G-25 Almirante Gastão Motta transfere óleo no mar para a fragata F-46 Greenhalg pelo método popa/proa. Essa técnica não era praticada entre os navios há seis anos.

O Navio Tanque G-23 Almirante Gastão Mota, após cinco anos passando por um Período de Manutenção Geral (PMG) no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), voltou a operar e realizou a faina de transferência de óleo no mar pela popa (parte de trás do navio) para a fragata F-46 Greenhalg, que recebeu o combustível pela proa (frente).

Essa faina mostra que o G-23 está apto a reabastecer em diferentes formaturas/posições, possibilitando o aumento do tempo de permanência e distância percorrida apoiando com combustível um Grupo Tarefa, inclusive em viagens de longa duração.

Outro exercício realizado nos navios dotados de convoo, caso do G-25, foi o de crache, onde é simulado um pouso forçado seguido de incêndio na aeronave, que recebe o apoio da tripulação (especializada em operações aéreas) para controlar o fogo e socorrer os aviadores.

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O torpedo MK.46 Mod5 em queda após ser lançado do SH-16. Observar o paraquedas de frenagem usado para diminuir o impacto do torpedo na superfície do mar.

Um destaque da Aspirantex 2017, registrado com exclusividade por T&D, foi o primeiro lançamento real de torpedo  Mk.46 Mod 5 por helicóptero Sikorsky SH-16 da Marinha do Brasil.

Para realizar a missão, o SH-16 executa todo o procedimento deep com bola na água (voo pairado com hidrofone arriado) e após detectar o alvo, recolhe o equipamento para bordo e empreende a corrida de ataque a grande velocidade, momento em que o torpedo é lançado e seguido pela aeronave após o seu impacto na água.

A operação foi um sucesso completo, confirmando a operacionalidade plena do SH-16 como um sistema de armas. Recentemente, o mesmo modelo já havia disparado o míssil antinavio de guiamento infravermelho Kongsberg Penguim que impactou contra um casco desativado da Marinha, comprovando sua habilidade de incapacitar o navio.

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Aspirantes da Escola Naval observam o ataque feito pelos caças navais AF-1 Falcão contra o GT 701.1

Com o objetivo de treinar os operadores de sistemas mísseis das fragatas, e os artilheiros dos navios do GT 701.1, também foram realizados dois ataques aéreos, o primeiro executado por aeronaves da Força Aérea Brasileira (A-1 AMX de Santa Maria e P-95 Bandeirulha de Florianópolis), e o segundo, por jatos de combate AF-1 Falcão da Marinha do Brasil.

Na ocasião, os aspirantes puderam testemunhar a importância do poder aéreo oferecido pela aviação naval, e vibraram com passes baixos de dois caças A-4 Skyhawk sobre os navios antes de voltarem para a Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia.

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Passagem baixa de um AF-1 Falcão sobre o G-25 Almirante Saboia.

A escolha de uma vida

A Aspirantex 2017 teve como metas a serem cumpridas o adestramento dos navios do Grupo Tarefa (GT) e motivar os aspirantes da Escola Naval com um programa de exercícios, familiarizando-os com a vida a bordo de um navio, e também dando-lhes maior segurança ao realizarem a difícil escolha de corpo e habilitação.

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Aspirantes observam a faina de transferência de carga leve a partir do G-25 Almirante Sabóia.

O dia mais importante para os mais de 200 aspirantes embarcados foi 26 de janeiro, quando decidiram o rumo de suas carreiras ao optarem por ser do Corpo da Armada, do Corpo de Fuzileiros Navais ou do Corpo de Intendentes.

Durante a Aspirantex 2017 também ocorreu a participação de aspirantes femininas do Quadro de Intendência, realizando as mesmas fainas e atividades que os homens sem qualquer diferenciação.

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Momento decisivo: aspirantes escolhem seu Corpo e Habilitação no dia 26 de janeiro.

Na chegada a Base Naval do Rio de Janeiro (BNRJ), os aspirantes receberam dos oficiais  encarregados de avaliá-los durante a comissão, mídias digitais com registros em foto e vídeo de tudo o que foi praticado e executado em 21 dias de missão.

Após as recomendações sobre segurança de informações e procedimentos para o desembarque, orgulhosos aspirantes desceram pelo portaló do G-25 Almirante Sabóia de volta ao sagrado solo de Villegaignon. Após 21 dias de viagem, deu-se por encerrada a comissão operativa Aspirantex 2017.

 

Roberto Caiafa