ARP Classe 4 nacional: Caçador é apresentado oficialmente em Botucatu

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O MOSP é a combinação de três sensores com longo alcance e imagens de alta definição. Tudo que o Caçador "enxerga" é retransmitido para terra pela sua antena no dorso, que também recebe os comandos de guiagem quando necessário. (Imagem: Roberto Caiafa)

A brasileira Avionics Services realizou o lançamento oficial da aeronave remotamente tripulada (ARP) “Caçador”, classificada como classe 4. O evento foi realizado no aeródromo municipal de Botucatu, interior do Estado de São Paulo

Durante a apresentação das capacidades do projeto, feita por especialistas da Avionics Services, destaque para o grande potencial em missões táticas de inteligência pelas forças armadas (estratégicas com o advento do sinal de satélite), segurança pública, defesa civil, policiamento ambiental e agro negócio. A ARP “Caçador” é baseado no UAV Heron-1, desenvolvido pela empresa Israel Aerospace Industries (IAI).

O Caçador tem uma envergadura de 14 metros que fornecem sustentação extra devido ao perfil aerodinâmico das asas. As missões podem ser voadas até nove quilômetros de altitude. (Imagem: Roberto Caiafa)
O Caçador tem uma envergadura de 14 metros que fornecem sustentação extra devido ao perfil aerodinâmico das asas. As missões podem ser voadas até nove quilômetros de altitude. (Imagem: Roberto Caiafa)

O tipo já se encontra em uso no Brasil há mais de 5 anos, sendo operado pelo Departamento de Policia Federal (DPF). A aeronave já cumpriu todos os regulamentos e obteve todas as permissões exigidas pelas autoridades governamentais brasileiras, sendo a única ARP classe 4 nacional até o momento.

Todo suporte de manutenção e serviços é realizado pela própria Avionics no Brasil, o que favorece o pós-venda. O programa abre boas possibilidades de negócios nacionais e internacionais. Segundo João Vernini, presidente da Avionics, o mercado interno pode absorver de 15 a 20 sistemas até 2021 e para o mercado externo projeta vendas de 20 a 30 unidades no mesmo período de cinco anos.

Há 3 anos, a IAI e a Avionics Services trabalham em conjunto para estabelecer uma base industrial brasileira consistente no mercado de sistemas não tripulados. O processo incluiu transferência de tecnologia para garantir uma maior independência da indústria nacional e domínio dos complexos e avançados sistemas.

​O taxy e decolagem/pouso foi controlado pelo piloto na cabine de comando e controle, com visão proporcionado por câmeras do seu container e do Caçador. A missão pode ser toda realizada sem intervenção humana. (Imagem: Roberto Caiafa)
​O taxy e decolagem/pouso foi controlado pelo piloto na cabine de comando e controle, com visão proporcionado por câmeras do seu container e do Caçador. A missão pode ser toda realizada sem intervenção humana. (Imagem: Roberto Caiafa)

Após as apresentações das autoridades civis e militares presentes, foi feito um voo com duração aproximada de 60 minutos. O Caçador sobrevoou o aeroporto, a região e suas estradas, transmitindo as imagens para um telão no interior do hangar. A pilotagem dentro da cabine de controle também foi demonstrada durante o voo. Uma rápida cerimônia de “batismo” com o tradicional banho de champanhe contou com a participação de João Vernini e Henrique Gomes, presidente da IAI do Brasil.

(Imagem: Roberto Caiafa)
Na extrema esquerda da imagem, João Vernini, presidente da Avionics, e Henrique Gomes, presidente da IAI do Brasil, durante a apresentação do ARP Caçador em Botucatu, SP (Imagem: Roberto Caiafa)

Um sistema não tripulado completo é composto por três ARP Caçador, três imageadores aéreos MOSP (torretas giro estabilizadas), uma estação de controle e uma antena de comunicação ponto-a-ponto para cada aeronave. O treinamento de efetivos para esse pacote abrange pelo menos 6 pessoas e pode chegar a 30 milhões de dólares. A antena ponto-a-ponto está montada em um reboque e possui suprimento próprio de energia.

Um opcional estratégico é a antena satelital que aumenta de 300km para 1.000km o raio de ação do equipamento. Este recurso deverá estar disponível ao Governo Federal brasileiro após a entrada em serviço do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC), prevista para ocorrer antes do final do primeiro semestre de 2017.

A estação de controle móvel, montada em um container padrão, possui gerador próprio e pode ser ligada a corrente elétrica 110V ou 220V trifásico, o que facilita a instalação. Também dispõe de baterias no-break, para-raios, ar-condicionado e aterramento. Cada cabine pode operar simultaneamente dois aparelhos, que demandam dois pilotos cada um. A estação de controle pode receber ainda um chefe de operações e mais um piloto.

Os pilotos da Avionics Services nos controles do Caçador durante o voo. a esquerda, e possível ver na tela o mapa da região de Botucatu, interior do estado de São Paulo. (Imagem: Roberto Caiafa)
Os pilotos da Avionics Services nos controles do Caçador durante o voo. a esquerda, e possível ver na tela o mapa da região de Botucatu, interior do estado de São Paulo. (Imagem: Roberto Caiafa)

O container de transporte do Caçador permite que asas, fuselagem, sensores, equipamentos de apoio em solo, ferramentas e outros materiais, após a desmontagem do ARP, sejam carregados e preparados para transporte de forma rápida e segura.

O Caçador está equipado com motor Rotax 914, com 115 HP, tem carga útil de sensores de 250 kg, leva 600 litros de combustível e voa a uma velocidade máxima de 112 kt (207 km/h). A velocidade de estol é de 50 kt (um número surpreendente propiciado pelas enormes asas), e sua velocidade de cruzeiro ideal é de 65kt, alcançando 40 horas voadas ininterruptamente nesse regime até uma altitude de 30.000 pés (9,2 Km de altitude).

​O ARP Caçador vem para o pouso automático no aeroporto de Botucatu, sob a supervisão do piloto na cabine de comando, após completar a sua demonstração. (Imaem: Roberto Caiafa)
​O ARP Caçador vem para o pouso automático no aeroporto de Botucatu, sob a supervisão do piloto na cabine de comando, após completar a sua demonstração. (Imaem: Roberto Caiafa)

Com essa performance, o modelo é virtualmente indetectável e seguro, pois apresenta baixíssima assinatura infravermelha e sonora e pode operar fora do alcance de sistemas MANPADS e canhões antiaéreos guiados de curto alcance, as principais ameaças vindas do solo contra ARPs no cenário sul-americano.

Essa capacidade é complementada por seus sensores, como ficou patente na demonstração. Mesmo voando afastado do aeroporto de Botucatu, a grande altitude, o Caçador transmitiu imagens do hangar da Avionics Services, no solo, a quilômetros de distância, sendo possível reconhecer as pessoas no telão tal a definição das imagens geradas pelo MOSP (a cores).

Um opcional estratégico é a antena satelital que aumenta de 300km para 1.000km o raio de ação do equipamento. Essa versão do Caçador apresentada pode operar até a 350 km de distância da antena de guiamento. (Imagem: Roberto Caiafa)
Um opcional estratégico é a antena satelital que aumenta de 300 Km para 1.000 Km o raio de ação do equipamento. Essa versão do Caçador apresentada pode operar até a 350 Km de distância da antena de guiamento. (Imagem: Roberto Caiafa)