Armas de fogo clandestinas

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Desde que o mundo é mundo, e o homem é homem, a quase ilimitada criatividade da mente humana sempre pode ser observada numa imensa variedade de contextos. Isto se aplica, inclusive, nas tradicionais dicotomias do bem-mal, certo-errado, legal-ilegal, etc. No que diz respeito às armas de fogo, por exemplo, o cenário é campo bem fértil para essa observação.

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Como neste exemplar apreendido em Minas Gerais, a submetralhadora brasileira Uru, calibre 9x19mm, tem servido de inspiração para armas clandestinas que surgem em várias partes do País. (Imagem: Arquivo do autor)

Grosso modo, os últimos 100 anos testemunharam a efetiva industrialização do armamento em todas as partes do mundo. No caso das armas portáteis, foram projetados, fabricados em série e oficialmente comercializados  incontáveis modelos de revólveres, pistolas, espingardas, submetralhadoras e fuzis por um sem-número de indústrias em diversas partes do mundo. Paralelamente e pelas mais diversas razões, exemplares de fabricação clandestina e/ou artesanal foram sempre emergindo em números não menos expressivos. Sob a influência de um fenômeno facilmente compreensível, a ocorrência de situações críticas (resistência a invasões, regimes ditatoriais, extremas restrições legais, etc.) tem sido fator predominante no crescimento dessa atividade, não importa que parte do mundo tomemos como exemplo.

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Pistola-metralhadora calibre .380ACP também encontrada no Ceará. Rudimentar, mas, funcional. (Imagem: Arquivo do autor)

O Brasil, é claro, não está imune a isso. As chamadas armas “de fundo de quintal” sempre apareceram aqui e ali, mas, pode ser observado um crescimento significativo a partir do início da década de 1990. Armamento apreendido naquela época pelas autoridades de segurança pública do Rio de Janeiro, por exemplo, começaram a mostrar uma inegável tendência de apresentar características de extrema compacidade e, mais ainda, de oferecer tiro automático (rajadas). Mais expressivo ainda foi observar que alguns modelos apreendidos de criminosos apresentavam grande similaridade entre si, denotando, sem qualquer sombra de dúvida, fabricação seriada.

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Alguns modelos de submetralhadoras de fabricação artesanal apreendidos no Rio de Janeiro no início da década de 1990. (Imagem: Arquivo do autor)

Um quarto de século depois, as coisas pouco mudaram. Melhor dizendo: mudaram, sim. As apreensões estão se tornando mais comuns em diferentes estados do Brasil, em vez de concentrarem-se, como no passado, no eixo Rio-São Paulo. Além das sempre habituais armas de fogo com acabamento rudimentar, verdadeiras aberrações mecânicas, tem sido notada uma crescente tendência ao melhor (esmerado, mesmo) acabamento das peças que caem nas mãos das autoridades policiais. Também significativo é o fato de alguns modelos evidenciarem a existência de fabricação em série, seja pela existência uma única fonte de produção ou, talvez, pela disseminação de desenhos de projeto em variadas partes do país.

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De uma pequena cidade paranaense veio esta compacta submetralhadora calibre 9x19mm, com corpo feito em estampagem de aço. (Imagem: Arquivo do autor)

Deve ser ressaltado que, embora totalmente ilegal e sujeita às penalidades existentes, a fabricação de uma arma de fogo simples, mesmo se tratando de uma submetralhadora (calibre de pistola, tiro seletivo ou apenas automático), é uma empreitada perfeitamente ao alcance de qualquer pessoa com uma habilidade média de lidar com Mecânica e com acesso a algumas ferramentas básicas, como um torno, equipamentos de solda, etc.. O que, para os criminosos, não se constitui em qualquer problema. Conheça, a seguir, algumas das armas clandestinas “Made in Brazil” apreendidas recentemente (2013-2015) em diversos estados.

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Pistolas de um só tiro, de calibre não especificado, apreendidas no Ceará. Alguma dúvida de que foram fabricadas em série? (Imagem: Arquivo do autor)

Ronaldo Olive