Argentina flerta com caça russo

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Amorim e Rossi durante cerimônia de roll out do KC-390 da Embraer. (Imagem: Secretaria de Comunicación Publica del Gobierno Argentino)
Amorim e Rossi durante cerimônia de roll out do KC-390 da Embraer. (Imagem: Secretaria de Comunicación Publica del Gobierno Argentino)
Amorim e Rossi durante cerimônia de roll out do KC-390 da Embraer. (Imagem: Secretaria de Comunicación Publica del Gobierno Argentino)

De acordo com o portal de notícias britânico Sunday Express, a Força Aérea Argentina (FAA) poderá receber cerca de uma dúzia de aviões de combate Sukhoi Su-24M2 até 2020. O negócio, afirma o portal, teria começado a tomar forma durante a visita do presidente russo Vladimir Putin ao país em julho deste ano. Putin teria oferecido ajuda militar em troca de commodities que a Rússia necessita, entre elas, carnes e trigo. É importante lembrar que a Ucrânia, até pouco tempo atrás, foi uma das principais fontes de alimentos para os russos, e a atual beligerância entre ambos países, sobrepostas às medidas tomadas pela União Europeia em função dessa situação, está demandando a procura de outras alternativas.

A notícia reflete também as preocupações britânicas com os recentes acordos estabelecidos entre os governos de Moscou e Buenos Aires na área militar. É de conhecimento público que as Forças Armadas da Argentina necessitam de modernização e reaparelhamento, principalmente a Força Aérea, cuja frota de combate está combalida e no limite de sua vida operacional. A questão inerente à soberania sobre as ilhas Malvinas (ou Falklands) ressurge nos meios políticos argentinos e também entre a população. Qualquer venda de armamento que possa ser utilizado futuramente em uma investida para retomar o arquipélago por parte dos argentinos é, naturalmente, repudiada pelo governo de Londres.

Particularmente, a possível chegada dos Su-24M2 para a FAA até 2020, ano em que coincidentemente o navio aeródromo de 65 mil toneladas HMS Queen Elizabeth da Marinha Real do Reino Unido (Royal Navy) estará em condições operacionais e portando caças F-35 de 5ª geração, representará um significativo aumento de projeção das forças de Buenos Aires sobre o Atlântico Sul.

Nos últimos anos circularam várias notícias sobre possíveis compras de aviões de combate de segunda mão para a FAA, como os Mirage F1M desativados pela Espanha, os Mirage 2000 ofertados pelo governo de Paris e o lote de Kfir Block 60 proposto por Israel. Entretanto, fatores políticos e financeiros acabaram por diluir as negociações. Recentemente surgiram rumores sobre a possibilidade de que a Argentina pudesse optar por um negócio com a China envolvendo caças JF-17. Em outubro, o ministro da Defesa argentino, Agustín Rossi, e seu colega brasileiro, Celso Amorim, assinaram o acordo de cooperação Aliança Estratégica em Indústria Aeronáutica (AEIA), documento que prevê negociações para que o nosso vizinho tenha acesso ao Gripen NG da sueca SAAB que serão fabricados no Brasil, abrindo caminho para aquisição de 24 unidades do modelo para a FAA.

Entretanto, como quase 30% do avião de combate escolhido pela Força Aérea Brasileira (FAB) contém componentes fornecidos pelo Reino Unido, é de se esperar que a pretensão argentina enfrente muitas dificuldades.

Ivan Plavetz