Análise completa sobre o Programa KC-390

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(Imagem: Embraer)

Hoje decolou pela primeira vez o protótipo do avião de transporte KC-390, desenvolvido e fabricado pela Embraer Defesa e Segurança (EDS).

“O KC-390 será a espinha dorsal da aviação de transporte da Força Aérea Brasileira. Da Amazônia à Antártica, a frota de 28 aeronaves terá um papel fundamental para os mais diversos projetos do Estado brasileiro, da pesquisa científica à manutenção da soberania”, disse o comandante da Aeronáutica, tenente brigadeiro-do-ar Nivaldo Luiz Rossato. Ele assistiu à primeira decolagem ao lado do presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, do vice-presidente executivo, Jackson Medeiros de Farias Schneider, e do ex-comandante da Aeronáutica, tenente brigadeiro-do -ar Juniti Saito.

O protótipo foi apresentado publicamente no dia 21 de outubro de 2014, ocasião na qual autoridades de mais de trinta países, além de representantes das mais de cinquenta empresas brasileiras que participam de sua produção.

O KC-390 começou a ganhar forma em 2009, quando foi apresentado pela primeira vez durante um evento acontecido na LAAD daquele ano. O potencial do projeto é produto de um meticuloso estudo de mercado realizado pela própria Embraer, que demonstrou a existência de um grande nicho para a substituição de aproximadamente 700 aviões militares de transporte da classe de 20 toneladas de carga útil, entre eles, o popular Lockheed C-130 Hercules, modelo em serviço na FAB desde os anos 60.

A Força Aérea Brasileira tornou-se proprietária intelectual do projeto e ajudou na definição de seus requisitos. Entre eles, figuram a capacidade de operar em aeródromos rudimentares sujeitos a condições climáticas extremas, transportar cargas úteis de até 26 toneladas e sair de fábrica com provisões para reabastecer outras aeronaves no ar, sendo que para esta missão em especial, ele transportará dois tanques internos removíveis de grande capacidade de combustível.

O compartimento de carga do KC-390 tem 18,50 metros de comprimento, um pouco maior que uma quadra de vôlei. A largura é de 3,45 metros e a altura é de 2,95 metros. O espaço é suficiente para acomodar equipamentos de grandes dimensões, além de viaturas blindadas, peças de artilharia, armamentos e até aeronaves semidesmontadas. Também poderão ser levados 80 soldados em uma configuração de transporte de tropa, 66 paraquedistas, 74 macas mais uma equipe médica na configuração MEDEVAC, ou ainda contêineres militares, entre outros tipos de carregamentos. Além da configuração cargueira e MEDEVAC, o KC-390 poderá receber provisões para missões de busca e salvamento (SAR) e de combate a incêndios.

A avançada aviônica do KC-390 e os sistemas de missão no estado-da-arte, incluindo aqueles de manejo de carga, deverão diminuir significativamente a carga de trabalho da tripulação. A velocidade máxima da nova aeronave alcança os 870 Km/h e sua autonomia sem reabastecimento ar-ar chega a mais de 2.500 Km.

A FAB já transformou sua carta de intenção de compra em encomenda firme de 28 unidades, fora os dois protótipos previstos. A entrega do primeiro exemplar de série está marcada para o ano que vem. Argentina, Colômbia, Chile, Portugal e República Tcheca têm intenção de compra para mais 32 unidades no total, distribuídas por estes cinco países. Argentina, Portugal e República Tcheca são parceiros industriais da EDS e estão fabricando partes da aeronave.

Cerca de R$ 4,9 bilhões foram investidos no desenvolvimento do KC-390, e as 28 unidades já contratadas pela FAB sairão por R$ 7,2 bilhões.

As previsões da EDS apontam que além dos 1.500 empregos diretos e outros 7.500 indiretos já gerados com o projeto, o avanço da produção até sua fase estável acrescentará mais 1.100 vagas diretas e 5.500 indiretas.

A EDS trabalha com a perspectiva de que as qualidades do KC-390 o torna competitivo para disputar com muita força no mercado em que ele competirá.

Ivan Plavetz