AH-1W Super Cobra via FMS: Exército Brasileiro interessado em oito exemplares.

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O Exército Brasileiro vem demonstrado renovado interesse em adquirir, via FMS, o Bell Helicopter Textron AH-1W Super Cobra.
  • O Exército Brasileiro demonstrou interesse em adquirir, via FMS, até oito unidades do Bell Helicopter Textron AH-1W Super Cobra.

Esses aparelhos encontram-se estocados no deserto, em uma área conhecida como AMARG (Aircraft Maintenance and Regeneration Group) em Tucson (Arizona), segundo apurou Tecnologia & Defesa.

Estudos visando a compra desse tipo de equipamento pela Aviação do Exército já existem.

O Plano de Obtenção de Capacidades Materiais do Plano Estratégico do Exército 2016-2019 previa a criação de uma unidade de helicópteros de ataque no médio prazo, porém, a necessidade premente desse material, devido a instabilidade na fronteira norte, mais as condições extremamente vantajosas de aquisição, considerando os equipamentos disponíveis para entrega, aceleraram o processo.

A Oferta.

O AH-1W Industrial Day, evento técnico realizado no final de janeiro (nos Estados Unidos), contextualizou a oferta dos helicópteros ao Brasil, enquanto acontece a desativação de unidades de asas rotativas equipadas com o modelo no United States Marines Corps dentro das restrições EDA (Excess Defense Articles).

Atualmente, segundo apurou T&D, já existem dezenas exemplares estocados como EDA e disponíveis para nações amigas autorizadas (o Brasil é uma delas) via FMS, incluindo aí pacote logístico e de treinamento, acesso a armamento e disponibilidade de horas de voo por célula para uma operação garantida para além de 2032.

As regras para a compra desse material incluem garantias de segurança sobre as tecnologias disponibilizadas (especialmente no aspecto cibersecurity), modernizações só poderão ocorrer com o controle das configurações de armamento e os trabalhos só poderão ser realizados por empresas qualificadas pelo Governo dos Estados Unidos da América, de acordo com os requerimentos do comprador (autorizado).

Essas máquinas não podem ser adquiridas através de uma venda comercial direta (direct comercial sales ou DCS). No entanto, quaisquer modificações autorizadas nos aparelhos, e o pacote de treinamento podem ser contratados tanto por DCS quanto por Official Letter Of Offer and Acceptance (LOA).

A modernização autorizada inclui um glass cockpit (large multifunctional displays), upgrade de aviônicos e itens suportados pelo FMS, trazendo o aparelho para uma configuração bem semelhante ao mais moderno AH-1Z Viper, que substituiu o AH-1W no USMC.

Exemplares do AH-1W recentemente desativados, estocados no AMRG (Tucson, Arizona).

Não estão autorizadas modificações no airframe das células, componentes dinâmicos e no set de armas integradas autorizadas (uma restrição imposta na modalidade de venda via FMS).

Comercialmente, existem opções de treinamento (cursos, simulação) e manutenção/upgrades fornecidas tanto por empresas nos EUA, quanto similares no Brasil selecionadas entre aquelas que possuírem o know-how necessário para o fornecimento de cursos/horas de treinamento em simuladores e prestação de serviços de manutenção e/ou melhorias.

No dia nove de abril próximo, nas docas do Rio Potomac (National Harbor), no Prince George’s County (próximo de Washington D.C), será realizado o US Navy League´s Sea-Air-Space Expo.

Na ocasião, o grupo de trabalho responsável pela oferta do AH-1W vai exibir um exemplar do helicóptero estaticamente e manter uma equipe preparada para atender clientes FMS nos aspectos da modernização do cockpit e treinamento de pilotagem/operação/manutenção desse equipamento.

O Brasil, caso venha a adquirir os AH-1W, deverá atender as regulamentações International in Arms Traffic Regulations (ITAR) e Export Administration Regulations (EAR), além de assumir compromissos de Cibersecurity dentro das normas de TI DFARS252-204.7012.

Descrevendo o AH-1W.

Fabricado pela Bell Helicopter Textron, o AW-1W Super Cobra é um helicóptero de ataque em tandem para piloto e artilheiro em assentos blindados. As duas semiasas na fuselagem somam quatro estações capazes de receber mísseis AGM-114 Hellfire, foguetes de 2,75″ ou 5″,  ou tanques suplementares de combustível. Uma torreta equipada com uma minigun de 20 mm complementa o armamento.

O AH-1W possui capacidade de visão noturna para os dois tripulantes usando avançada combinação EO/IR com FLIR do tipo NTSU, avançadas contramedidas infravermelho (decoys do tipo flares e supressores de calor na exaustão dos motores) e contramedidas eletrônicas (ECM). Pode operar de dia ou a noite em qualquer condição climática.

O avançado sensor EO/IR emprega FLIR do tipo NTSU.

Os motores do AH-1W são os conhecidos turboshaft T700-GE401 da General Eletric, o mesmo motor dos SH-16 Seahawk da Marinha do Brasil (portanto, já existe uma capacidade instalada no País para treze motores da Aviação Naval).

Devido a sua origem (Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos), os exemplares do AH-1W ofertados ao Brasil já serão entregues “marinizados” (proteção extra contra corrosão marinha) e adaptados para operarem embarcados.

O turboshaft T700-GE401 da General Eletric: capacidade existente no País para manutenção desse motor.

Com a recente compra do HMS Ocean pela Marinha do Brasil, operações conjuntas no futuro, com os AH-1W Super Cobra da Aviação do Exército operando do convoo do futuro nau-capitânea da Esquadra Brasileira seria perfeitamente possível, repetindo a fórmula usada pelo Exército e Real Marinha Britânica (a diferença, o helicóptero da Aviação do Exército Inglês é o americaníssimo Boeing AH-64 Apache).