Aeronaves do Musal em Curitiba: Explicando o mistério.

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O Starfighter ASA-M do MUSAL em Bacacheri (imagem: internet)

Nos últimos dias, viralizou nos grupos de comunidades aeronáuticas na internet fotos de aeronaves militares de procedência estrangeira, do acervo do MUSAL, ou Museu Aeroespacial, sendo manejadas em solo no aeroporto de Bacacheri, na grande Curitiba.

Nas imagens printadas de câmeras DSLR (tela de preview), é possível reconhecer com clareza o Lockheed F-104 Starfighter ASA-M da Aeronáutica Militare Italiana sem asas e demais superfícies de controle, um SEPECAT Jaguar MK1 ex-RAF, também sem as asas, e um North American F-86F Sabre, ex-FAV, com as asas e demais superfícies.

O SEPECAT Jaguar em Bacacheri (imagem: internet)
O F-86 Sabre ex-FAV em Bacacheri (Imagem: internet)

Doutrina & Permuta I – Acervo

Nos últimos anos, o MUSAL incorporou ao seu acervo, através de doações de nações amigas, aeronaves como os citados F-104 e Jaguar. No passado, através de trocas entre instituições, outros aviões estrangeiros chegaram ao Musal, caso do F-86 Sabre.

Ocorre que o museu não deixou de receber também, aeronaves operadas pela Força Aérea Brasileira como o Mirage 2000/F2000, Embraer CBA-123, EMB-120 Brasília, EMB 314 Super Tucano, Boeing 737-200 ex-GTE (o eterno “Breguinha”), aeronaves protótipos da Embraer, etc.

Os aeromodelistas da ACA, frequentadores veteranos daquele espaço, registraram o acervo de aviões e helicópteros do MUSAL usando drones munidos de câmeras de alta resolução (voos devidamente autorizados e dentro das normas).

Essa situação descaracterizou a organização e exibição das aeronaves dentro de um cenário idealizado por museólogos e demais profissionais que auxiliam na administração do MUSAL, e que considera como adequado o número máximo de 80 aeronaves.

Somado a isso, uma ordem da Força Aérea Brasileira determinava que aquela OM só deveria contar em seu acervo, prioritariamente, com exemplares de aviões, helicópteros e demais ítens aeronáuticos, dentre aqueles operados pela FAB.

O interior de um C-47 preservado no Musal (RJ).

Doutrina & Permuta 2 – O destelhamento

Há um ano praticamente, na quarta-feira de cinzas do Carnaval 2018, o MUSAL foi atingido por uma tempestade tropical que causou graves danos nos telhados dos hangares e pavilhões da instituição.

A chuva forte destruiu completamente o dirigível da Air Ship do Brasil, na ocasião ancorado nos gramados do MUSAL após viagem promocional até a capital carioca partindo do interior de São Paulo.

Com 49 metros de comprimento e 17 metros de altura, o modelo ADB-3-X01 tem um payload de uma tonelada, usado para transportar diversos equipamentos.

Começava aí uma batalha para alocar recursos destinados a reconstruir as instalações atingidas. A primeira medida foi manobrar quase a totalidade do acervo de aeronaves para o pátio anexo do MUSAL, deixando-as expostas ao ar livre por meses enquanto as reformas acontecem (não estão finalizadas ainda).

Aproveitando a oportunidade, também foi decidida a troca do piso dos hangares por um novo em material epóxi, uma nova pintura de todo o interior e exterior, e a colocação de novas telhas especiais “térmicas” capazes de auxiliar enormemente na luminosidade e controle de temperatura dentro das instalações.

Vista aérea do MUSAL.

Doutrina & Permuta 3 – Novidades em 2019

O MUSAL vem trabalhando para apresentar novidades durante a inauguração das obras de reformas, previstas para acontecer em outubro próximo quando se comemora o Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira com um grande show aéreo no MUSAL.

Espera-se que, até lá, a nova sala de ítens históricos do 1º Grupo de Aviação de Caça esteja reposicionada, revista e ampliada, contando com novos recursos lúdicos como, por exemplo, um dos caças P-47 Thunderbolt que voaram na Itália fazendo parte de uma bem elaborada cena histórica que recria o ambiente da campanha na Itália, entre outras novidades.

A linha de caças a esquerda, de vbaixo para cima: F-80C, Atlas Impala, Gloster Meteor F.8, A_1 AMX protótipo

A Campanha do “Quatro Setinho“, que promove a recuperação de um dos P-47 Thunderbolt para condições de voo (revisão completa do motor, que vai ser reconstruido) prosseguirá contando com o apoio das pessoas que colaboraram para viabilizar as ações, mas recebendo um importantíssimo aliado, a Helisul Aviação.

O Projeto Quatro Setinho visa a recuperação, acionamento e manutenção do grupo motopropulsor da aeronave P-47D Thunderbolt “B4” do Museu Aeroespacial – MUSAL.

Doutrina & Permuta 4 – Helisul Aviação

Fundada em 1972, a Helisul iniciou suas atividades na cidade de Foz do Iguaçu.

A partir de 1979, alçou novos voos e expandiu seus serviços e suas bases por todo o território nacional.

Com uma estrutura completa de hangares, administrativo, equipes de manutenção e pilotos altamente capacitados, a Helisul ampliou suas atividades e hoje atua em diversas regiões do Brasil.

A empresa possui larga experiência na prestação dos serviços de manutenção, locação e gerenciamento de aeronaves (aviões e helicópteros), transporte aeromédico, voos panorâmicos, SAE – serviços aéreos especializados e FBO – fixed base operator.

A frota própria é composta por mais de 40 aeronaves.

Possui bases fixas nas cidades de Curitiba, Foz do Iguaçu, Florianópolis, Rio de Janeiro e São José dos Pinhais (Aeroporto Afonso Pena). Além de bases de manutenção em Brasília, Belém e São Luís. E uma futura base fixa em São Paulo (Aeroporto de Congonhas).

A Helisul tem no seu proprietário, o empresário Eloy Biesuz, um famoso e reconhecido entusiasta da aviação.

Imagens: Niomar Pereira/Gazeta do Povo

A fazenda do executivo, localizada na comunidade de Barra Grande, em Itapejara D´Oeste, Região Sudoeste do Paraná, abriga uma frota de aeronaves comerciais clássicas, incluindo aí um Boeing-737/200 prefixo PP- SMH, que pousou pela última vez em Brasília no dia 15 de janeiro de 2005 (mantido completamente funcional assim como um Learjet 23A).

A coleção do empresário também apresenta dois bimotores Douglas DC-3/C-47 Dakota, aeronaves usadas em larga escala como transportes durante a 2ª Guerra Mundial, e que voaram bastante no Brasil, especialmente nas rotas amazônicas, até a década de 1970 do século passado.

Comenta-se que a Helisul estaria estruturando a criação de um museu aeronáutico, mas não se sabe ainda se será aproveitada a instalação existente na fazenda de Eloy Biesuz (que tem um caráter mais particular, apesar de aberta a visitação em dias de semana), ou se a empresa pretende criar uma instalação dedicada em Bacacheri para receber aeronaves históricas (a Helisul foi procurada pela reportagem de T&D no dia 5/02, mas até a publicação do artigo, não retornou nossa ligação).

O JU-52 encaixotado, em reserva técnica do MUSAL, já encontra-se em Bacacheri, assim como os caças fotografados.

O fato é que a Helisul converteu-se na fiel depositária dos aviões citados no início deste artigo, mais um Junkers JU-52 da reserva técnica do MUSAL (resultado de uma troca por uma réplica do 14-Bis funcional) que já se encontra em Bacacheri há alguns meses.

Em troca da cessão por comodato e guarda/reforma das aeronaves militares de bandeiras estrangeiras do acervo do MUSAL (destinadas ao futuro museu), a Helisul irá patrocinar a reforma do Junker JU-52 que deverá ser apresentado com cores brasileiras, completamente restaurado.

A empresa também está colaborando decisivamente na restauração do P-47D do Dornelles, colocando seus mecânicos e recursos a disposição do Projeto Quatro Setinho, que visa a recuperação, acionamento e manutenção do grupo motopropulsor da aeronave P-47D Thunderbolt “B4”.

Os dois P-47D no hangar de restauro do MUSAL: ambos terão novos ambientes para exibição em 2019, com maior interatividade com o público visitante, proporcionando uma experiência mais intensa e educativa. (imagem: Gilson Campos/MUSAL)

A Helisul também deverá colaborar de forma decisiva na reforma/restauro de um Fairchild C-82 Packet atualmente na reserva técnica do MUSAL.

A empresa de taxi aéreo também está somando esforços integrando o grupo reunido para permitir a conclusão das obras de reconstrução dos telhados de hangares e pavilhões do museu, obras previstas para serem entregues até outubro próximo.

Cerca de 2/3 dos trabalhos já estariam concluídos, segundo informações obtidas por T&D junto a Associação dos Amigos do Museu Aeroespacial (AMAERO).

C-82 Packet em restauração.

 

9 Comentários

  1. Muito bom. É uma pena com uma historia a nossa aviação seja tão distante da população espero que isso mude com o tempo.

  2. É uma pena o fechamento de um museu como o Asas de Um Sonho, ainda bem que existem ainda pessoas preocupadas com nossa história, vida longa ao musal!!

  3. Minha esposa tem parentes em Itapejara D’Oeste, me lembro bem de quando ele comprou um avião da VASP (ou Transbrasil, não me lembro agora) e colocou na fazenda dele.
    Passando pela rodovia, dá para ver um avião, de longe.

  4. É lamentável que aeronaves comop o F-104, o F-86 e o Jaguar estejam deixando o Musal, para um futuro incerto. Me parece até descaso considerando que foram doadas por países amigos para o acervo do Musal. Lamentável.

    • Espero que ganhem um espaço no futuro museu do Campo de Marte… junto com os Mig do Asas de um Sonho… fechado já algum tempo…

  5. Em dezembro 2017 fui visitar o MUSAL, não achei o Jaguar, o F-86 nem o F-104… perguntei para os funcionários e eles não sabiam do paradeiro, ou não estavam autorizados a dar informações, uma pena… mas agora está explicado…

  6. sou carioca,fui criado proximo ao museu e estudei no pamaer-afonsos,vi tudo começar ate hoje;vejo aqui aos 54 anos que a mentalidade ainda e atrasada;nosso musal e tratado como uma OM de ultima categoria e as vezes ,olhando ;acho ate melhor fechar tudo.penso assim depois de ver oshkosh;ismithsonian air museum e o raf museum.infelizmente aqui nada vai pra frente;so retrogride. fui voluntario no passado na reforma do P 47 e nem deixaram voar por um pensamento ridiculo;o A20 tem tubos de metal nas metralhadoras;a torre da B25 nunca mais vi.e assim.so acabando o que tem

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