A renovação das capacidades do Exército Brasileiro

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O Exército dos Estados Unidos está disponibilizando para venda 11 unidades da aeronave de transporte C-23B Sherpa, e o Exército Brasileiro está analisando a possibilidade de adquirir quatro dessas aeronaves com objetivo de reativar seu setor de aviação de asas fixas.

“O lote piloto que o Brasil quer adquirir é de quatro aeronaves, que serão destinadas ao Comando Militar da Amazônia (CMA) para emprego em ações de ajuda humanitária nas áreas mais remotas”, afirmou o general-de-exército Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, chefe do Comando Logístico do Exército Brasileiro (COLOG).

Ele contou que as características da C-23B Sherpa se adequam bem às necessidades das unidades militares que atuam na região amazônica por diferentes motivos. “Esse é um avião rústico, que pousa e decola usando pistas curtas, de qualquer natureza. Essa é uma grande vantagem para nós, porque as condições do piso na Amazônia variam muito”, disse o general Theophilo.

Além disso, a aeronave possui rampa que abre para os dois lados, característica importante tendo em vista a agilidade que proporciona no desembarque. Tem ainda alta capacidade de carga (aproximadamente duas toneladas) e capacidade de transporte de 30 militares.

Aeronave de transporte C-23B Sherpa (Imagem Exército dos Estados Unidos)
Aeronave de transporte C-23B Sherpa (Imagem: Exército dos Estados Unidos)

As unidades disponíveis para venda pelo Exército dos Estados Unidos foram desativadas no início de 2014, após duas décadas de uso pela Guarda Nacional desse país.

Os primeiros reparos nos aviões estão sendo realizados em San Antonio, no Texas. O general Theophilo esteve na cidade durante a primeira semana de outubro para conferir as condições desses equipamentos. A avaliação foi positiva; “Depois que forem modernizadas, essas aeronaves vão ganhar um ciclo de vida até 2038. Isso quer dizer que elas ganham a capacidade de voar a quantidade de horas que queremos e nas condições que almejamos por 21 anos”, afirmou o general Theophilo.

Dentro de dois meses, outros dois exemplares da C-23B Sherpa devem estar com os primeiros reparos concluídos, conforme informação do general Theophilo que teve em sua comitiva de viagem aos Estados Unidos um representante da AEL Sistemas. Esta empresa brasileira presta serviços de manutenção de sistemas tecnológicos em diferentes segmentos, inclusive aeronáutico, e foi identificada como possível parceira em casos de necessidade de manutenção das aeronaves C-23B Sherpa no Brasil.

Se a aquisição do lote piloto se concretizar, e o desempenho das aeronaves se mostrar satisfatório no Brasil, vislumbra-se a aquisição futura das outras sete unidades disponíveis, que teriam como destino o Comando Militar do Norte (CMN) e o Comando Militar do Oeste (CMO).

Para que o negócio entre as forças militares dos dois países  se concretize ainda são necessárias algumas etapas. A liberação da venda está em análise pelo Departamento da Defesa dos Estados Unidos. “Depois disso, será preciso definir os parâmetros do que será modernizado na aeronave”, explicou o coronel Washington Rocha Triani, do COLOG, que acompanhou o general Theophilo na viagem aos Estados Unidos.

Até o momento, o que está sendo feito nas aeronaves C-23 B Sherpa é basicamente a revisão de componentes de aviônica, de propulsores, do trem de pouso e da célula da aeronave, de acordo com o coronel Triani.

Blindados mais modernos

Enquanto as negociações em torno das aeronaves C-23B Sherpa ainda está em fase inicial, outro contrato entre as forças armadas do Brasil e dos Estados Unidos anda a pleno vapor.

Dessa vez, diz respeito aos veículos blindados.

Na cidade de York, na Pensilvânia, 32 obuseiros do modelo M109-A5 estão atualmente na fábrica da BAE Systems, onde algumas peças estão sendo retiradas para recuperação. Esse é o começo de um processo de modernização, fruto de um contrato assinado em 2012 entre os dois países.

Equipe do COLOG durante visita às instalações da BAE Systems nos Estados Unidos. (Imagem BAE Systems)
Equipe do COLOG durante visita às instalações da BAE Systems nos Estados Unidos. (Imagem: BAE Systems)

As viaturas foram adquiridas pelo Exército Brasileiro por meio de doação praticada pelo programa de vendas militares para o exterior, executado pela Secretaria de Defesa dos Estados Unidos. “Logo após fecharmos o acordo de doação, estabelecemos um contrato de modernização desses blindados para obter uma versão mais moderna, quer dizer, da versão A5 para a A5+”, disse o coronel Everton Pacheco da Silva, chefe da Seção de Blindados da Diretoria de Material do Exército Brasileiro.

Como o próprio coronel Everton esclareceu, a modernização é uma intervenção por meio da qual se acrescenta itens, componentes e tecnologias que agregam operacionalidade a um determinado equipamento militar.

A previsão é de que esse serviço seja concluído em outubro de 2018, quando os obuseiros M109-A5+ estarão prontos para serem despachados ao Brasil. Até lá, militares da Força Terrestre brasileira devem acompanhar as atividades na fábrica em York, para que possam adquirir a capacidade de fazer a manutenção dessas viaturas nas instalações do Exército Brasileiro.

Os obuseiros M109-A5 doados pelos Estados Unidos estão na primeira fase do processo de modernização que deve ser concluido em 2018. (Foto: BAE Systems)
Os obuseiros M109-A5 doados pelos Estados Unidos estão na primeira fase do processo de modernização que deve ser concluido em 2018. (Imagem: BAE Systems)

“Estamos pensando em uma equipe de três a quatro pessoas, que irão para lá quando for iniciada a linha de montagem dos nossos veículos, possivelmente no segundo semestre de 2017”, afirmou o coronel Everton, que esteve em York no início de outubro. Com isso, a troca com as Forças Armadas norte-americanas deixa de se restringir ao aspecto material para se dar também no nível de conhecimento.

Múltiplas vantagens

As munições do obuseiro M109-A5 podem alcançar 42 Km de distância. Hoje, os equipamentos que o Exército Brasileiro possui conseguem atingir apenas 24 Km. Essa é a primeira vantagem apontada pelo coronel Everton em relação aos novos obuseiros. “Além disso, essas viaturas executam tiros de forma mais rápida e possuem peças que podem ser compradas muito mais facilmente no mercado. Além do mais, as viaturas M109-A5 têm alto teor agregado de tecnologia, com controle de radar e de velocidade de munição, além de sensores diversos”, acrescentou o militar.

O M109-A5, que está sendo transformado em A5+, é um blindado sobre lagarta. No Brasil esse tipo de veículo é empregado principalmente na região sul do país, onde o terreno é mais plano. Por esse motivo, um lote de 16 desses blindados vai dotar o 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsada, sediado em Santa Maria (RS), e os outros 16 exemplares irão para o 5º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsada de Curitiba (PR).

Ivan Plavetz
Fonte: Diálogo Américas