70 anos depois… a cobra continua fumando!

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No passeio é possível conhecer um obuseiro M-114AR de 155mm do tipo usado pela Artilharia Divisionária da FEB durante a 2ª Guerra Mundial.

Seguindo uma tendência mundial de eventos culturais envolvendo museus de grandes cidades, a prefeitura de Belo Horizonte e parceiros patrocinaram, dentro do Projeto Noturnos no Museu, uma noite de apresentações no Museu da Força Expedicionária Brasileira de Belo Horizonte (Associação Nacional dos Veteranos da FEB seção BH), localizado em um muito bem conservado imóvel do tradicional bairro Floresta.

Na última sexta feira (17), a programação incluiu, após apresentação da banda de música da 4ª Região Militar, visitas guiadas, a partir das 19 horas, com a participação dos integrantes do Grupo de Reencenação Histórica Galos de Briga, fardados, armados e equipados como as tropas da FEB que combateram no teatro italiano da 2ª Guerra Mundial, entre 1944 a 1945.

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Entre as diversas armas históricas (desativadas) expostas no museu, inimigas ou aliadas, estão as submetralhadoras “Grease Gun” e Thompson, ambas em calibre .45 ACP, de fabricação estadunidense.

Na avenida em frente ao prédio foi possível visitar um obuseiro de campanha M-114AR de 155 mm, peça de artilharia da FEB, e veículos militares utilizados pelas tropas brasileiras promoveram passeios pelas ruas do bairro Floresta em comboios. Os visitantes conheceram as salas de recordações autênticas dos nossos Pracinhas (como os soldados eram chamados), onde estavam expostos uniformes de diferentes patentes e graduações, armamentos dos pracinhas, munições, apetrechos individuais, fotografias, cartas, manuais de treinamento, e pelo lado inimigo, armas, bandeiras e apetrechos capturados das tropas nazistas e fascistas, incluindo aí a famosa metralhadora alemã MG-42 ou Lurdinha. No auditório, exibições de documentários, e no hall principal do museu, experiências contadas pelo veterano FEB cabo João Moreira davam voz e imagem aos nossos pracinhas em depoimentos sobre suas vidas durante e após a guerra. Também era possível visitar uma instalação onde estavam dispostos uma metralhadora .50 em seu tripé, um morteiro de campanha leve e outros petrechos de combate usados na Itália.

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O voluntário Sérgio Carneiro Correa, usando fardamento autêntico de um oficial brasileiro, explica o contexto de torpedeamento de navios brasileiros que decretaram a entrada do Brasil na 2ª Guerra.

O estado de conservação do material histórico, a apresentação e organização geral das salas, o projeto geral de museologia muito bem estudado, e o fato de a vida financeira da instituição encontrar-se impecavelmente em dia coloca o Museu da FEB Belo Horizonte em uma situação ímpar, se feito o contraponto com a Casa da ANVFEB, localizada no Rio de Janeiro, mostrada na atual edição da revista T&D (Nº 141).

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O veterano FEB cabo João Moreira, há 70 anos lutou na Itália como motorista de viatura patrulha nas colunas motorizadas da FEB. Durante o evento, contou algumas de suas lembranças da guerra como a morte em combate dos companheiros.

O museu mineiro conta como vital apoio da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) nos quesitos contas do aluguel, água e luz do imóvel, que é tombado. Existe um acordo para que o mesmo permaneça mantido neste formato enquanto estiver sob o controle da Associação Nacional dos Veteranos da FEB seção BH, estando o museu inserido na programação cultural da capital mineira e em plena atividade. Semanalmente, na parte da tarde, ao custo de R$ 4,00 por pessoa, o local recebe a população de Belo Horizonte, especialmente excursões de escolas primárias da rede pública de ensino, agendadas previamente e financiadas pela PBH em sua maioria. Aos sábados e domingos também ocorrem eventos programados e visitação aberta ao público. Todo o trabalho feito para o museu é voluntário.

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“Nosso maior patrimônio são os voluntários e colaboradores amigos do Museu da FEB BH, sem eles não poderíamos estar no nível que a instituição hoje se encontra” – Marcos Renault, presidente do Museu da FEB BH.

Segundo o engenheiro Marcos Renault, presidente do Museu da FEB BH, o maior capital que a instituição possui é os seus voluntários e colaboradores “Nosso grupo tem conseguido importantes sucessos com muito amor e união, complementando a ajuda que recebemos do município e de alguns apoiadores que fazem parte do grupo. No final de julho ou início de agosto, vamos inaugurar a sala dedicada ao 1º Grupo de Aviação de Caça da FAB com itens autênticos doados pelo piloto John Buyers, oficial de ligação do grupo brasileiro com o comando norte-americano, e do brigadeiro José Rebelo Meira de Vasconcelos, um dos mais conhecidos pilotos do esquadrão, falecido recentemente. De um modo geral, a repercussão do trabalho tem sido ampla e mais brasileiros tem tido a oportunidade de conhecer essa importante fase da nossa história recente”.

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O Grupo de Reencenação Histórica Galos de Briga, e outros voluntários, usando uniformes, equipamentos e armamentos fiéis aos da época da 2ª Guerra Mundial, conferem aos eventos do Museu da FEB Bh grande realismo histórico, chamando a atenção especialmente dos jovens e crianças.

Roberto Caiafa
(Texto e Fotos)

*A reportagem de T&D agradece a Sergio Carneiro Correa, voluntário da equipe do museu, pelo convite e apoio na realização desse artigo.